No centenário do Dia Internacional da Mulher, cerca de 1.500 militantes fazem ato em SP
9 de mar. de 2010

Aproximadamente 1.500 mulheres integrantes de movimentos sociais, partidos políticos e sindicatos realizam ato pelas ruas do centro de São Paulo para celebrar o Dia Internacional da Mulher --que neste ano completa 100 anos-- e protestar contra a desigualdade de gênero presente na sociedade.
A manifestação realizada nesta segunda-feira (8) na capital paulista teve início por volta de 10h na praça do Patriarca, batizada pelas mulheres de “praça da Matriarca”. Vestidas de roxo e vermelho e acompanhadas por carros de som, as militantes marcharam até a praça da Sé, no centro, distribuindo panfletos e entoando palavras de ordem, segundo afirmou Thaís Lapa, integrante da organização do ato.
O Dia da Mulher foi proposto em 1910 pela alemã Clara Zetkin, na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, e passou a ser celebrado em diversos países, embora de forma não oficial. Em 8 de março de 1917, uma mobilização de operárias russas --prenúncio para a Revolução de outubro, no mesmo país-- reforçou a importância da data para a luta das mulheres. Contudo, a fixação internacional do Dia da Mulher se deu a partir de 1922, após exigência da militante bolchevique Alexandra Kolontai a Vladimir Lênin.
Neste ano, as reivindicações das entidades que integram a manifestação se concentram em torno de quatro eixos principais: o combate à violência sexual, doméstica e militar; a legalização do aborto; valorização do trabalho feminino e fim da divisão sexual do trabalho; e maior participação política.
De acordo com nota assinada pelas entidades que compõem a manifestação, as mulheres reconhecem os avanços conquistados após a criação da Lei Maria da Penha, mas alegam que a legislação não é aplicada integralmente na prática. Além da aplicação efetiva da lei, as entidades reivindicam a criação de abrigos públicos para vítimas de agressões e seus filhos.
Para Thaís Lapa, a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que concedeu só à mulher agredida o direito de acusação ao agressor, impedindo que o Ministério Público faça a denúncia, também é alvo de crítica das organizações presentes no ato. “A Lei Maria da Penha não é implantada plenamente. Além disso, a decisão do STJ ‘amortizou’ a força da lei”, afirma a militante.
As mulheres defendem também que o direito ao aborto para mulheres vítimas de abuso sexual seja garantido na prática, por meio da melhoria nas condições das clínicas e hospitais e de acompanhamento médico e psicossocial. As entidades ainda exigem que o direito ao aborto seja estendido a toda mulher que desejar interromper a gravidez.
Com relação à valorização do trabalho, as mulheres reivindicam igualdade salarial e de condições. Na nota, as entidades alegam que a mulher recebe, em média, 71% do salário do homem, mesmo com maior escolaridade. As mulheres negras, diz o texto, enfrentam situação mais desigual, recebendo, em média, salários 51% menores do que os das mulheres brancas.
Por fim, as mulheres exigem maior presença feminina em instâncias políticas, tais como o Congresso Nacional, cargos executivos, partidos políticos e sindicatos. “As mulheres estão sempre na luta, mas nunca são dirigentes de partidos, sindicatos e movimentos sociais”, diz Lapa.
Fonte: Guilherme Balza,do UOL Notícias



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